Serra da Canastra: meu lugar é aqui e agora

Serra da Canastra: meu lugar é aqui e agora

Chegar à noite em qualquer destino é interessante sob o ponto de vista da surpresa para o dia seguinte, e assim foi. Muito bem recebido no Hotel Chapadão da Canastra, em São Roque de Minas, tive o merecido descanso e ansioso para conhecer a região da Serra da Canastra.

Ao acordar, abrindo a janela, veio a primeira surpresa. Um lindo visual de montanha e do hotel super aconchegante. Muito bem recepcionado pela proprietária, saboreei um completo café da manhã e estava pronto para os passeios.

Em um confortável 4×4 do hotel (passeios diários), tendo um simpático guia, começando assim as agradáveis surpresas e descobrimentos. Lindo dia de sol e lá vamos para a “parte alta” da região, dia inteiro de passeio. Logo saindo da cidade de São Roque de Minas, tive o primeiro impacto ao avistar a Serra, imponente e magnética.

À medida que ia ficando mais próximo, ficava mais deslumbrado, isto iniciando o passeio que iria me levar a 1.496 metros de altura.

Entrando no Parque Nacional da Serra da Canastra

A Portaria 04 dá acesso à parte alta via Curral das Pedras, nascente do rio São Francisco e parte alta da Cachoeira Casca d’Anta. Em uma estrada adequada para um 4×4, chegamos ao topo. Em meio à rica vegetação de cerrado, fico impressionado com a imensidão plana e infinita, é incrível! E isso é apenas o começo.

Vicente, nosso atento guia nativo e amante da natureza, vai ao longo do caminho mostrando a fauna e espécies da vegetação natural. Alguns animais como veados, emas, lobos-guará, onças parda, tamanduás-bandeira, tatus-canastra e o raro pato-mergulhão vivem na parte alta da serra. Tive a felicidade de ver alguns e bem próximos.

As aves são inúmeras, dóceis e variadas, sendo que algumas se aproximam naturalmente. A flora muito diversificada tem por volta de dez mil espécies, muitas delas utilizadas como medicamento, assim como para alimentação. Peixes e anfíbios complementam a rica biodiversidade local.

Curral de Pedras: local onde antes da criação do Parque era usado para o gado. Construção feita de pedra, devido à falta de árvores (nesta parte alta) para aproveitamento da madeira. Anos atrás, em alguns trechos da região da Canastra, o gado era mantido na parte baixa do Chapadão e quando chegava o inverno (período da seca), o gado era levado para a parte alta para se alimentar das pastagens. Hoje não tem mais gado dentro do Parque – restou apenas a história e uma parte da construção.

Nascente do Rio São Francisco: uma emoção única, pensar que a partir daí ele se tornará grande, imponente e muito importante. Nasceu em um berço esplendoroso e abençoado por São Francisco.

Parte alta da cachoeira Casca d’Anta: local pra lá de especial, é aqui que o Pato-Mergulhão vive e vem se banhar. Logo cedo é possível ter a felicidade de observá-lo. Sinal de água limpa e pura, só assim para ele sobreviver e procriar.

Existem algumas piscinas naturais antes da formação da grande queda d’água da Cachoeira Casca d’Anta, diferentes níveis compõem este pedaço muito lindo. Bom ficar horas apreciando e, se quiser, um mergulho faz parte do passeio. Há apoio de banheiros no local.

Este percurso descrito, para ter uma ideia, representa mais ou menos 20% da área total da “parte alta” do parque. No total, há quatro portarias de acesso, cada uma em um município diferente. A duração deste percurso é de um dia, saindo às 8h e voltando às 17h.

Parte baixa 

Mais um dia de sol e nosso amigo esperando para ir todo orgulhoso para mostrar mais belezas da sua região. No passeio, fui visitar algumas das cachoeiras da região, que foram apenas três devido ao pouco tempo disponível.

Começamos visitando a Cachoeira da Chinela e, durante o percurso de 4×4, sentia que quanto mais me aproximava da serra na “parte baixa”, constatava a impressão de grandeza que é visível e dominante.

Descemos em um ponto determinado, onde se chega de carro. Fomos recepcionados por Cauã, índio Pataxó que mora no local e faz trabalhos artesanais. Ele tem um projeto para a comunidade local e para o turismo, divulgando a história e os costumes de seu povo – ele aguarda parcerias para concretizar. Muito simpático e atencioso, falou do local a ser visitado, da cachoeira e arredores.

Após o papo, fui por uma trilha bem limpa e plana até meu destino, coisa de 15 minutos de caminhada. Quanto mais me aproximava do local, meu pescoço mudava de ângulo para olhar as belezas da encosta. De repente, me deparo com a cachoeira. Uma queda de água limpa cristalina e bem distribuída formando vários desenhos e com um poço transparente aos seus pés. Um mergulho é automático e tempo certo para seguir para a próxima.

Na sequência, conheci a Cachoeira Casca d’Anta, a mais alta e a mais visitada da região. Mesmo esquema para chegar por trilha, esta um pouco mais longa e com subidas e descidas, coisa de 30 minutos.

No percurso, em um determinado ponto, se vê ao longe a beleza e o tamanho da queda d’água. À medida que nos aproximamos, além do visual parcial ao meio da vegetação, ouve-se o barulho dela. Indescritível é a sensação de quando se chega diante daquele colosso natural de água. Emoção, energia, respeito e admiração. Queda de 200 metros de altura, um balé de sprays com movimento do vento, somado ao som da água caindo em um enorme poço. Espetacular!

Para encerrar o dia, visitei a Cachoeira do Cerradão, que se encontra dentro de uma propriedade particular em uma fazenda. Trilha agradável, plana na sua maior parte e com inúmeras placas indicativas das espécies da flora.

Serra da Canastra

A cachoeira é mais um espetáculo, tendo esta várias quedas escalonadas formando um visual diferente e harmônico. Poços de água formando piscinas também não faltam. Convite a vários mergulhos.

Segundo os locais, na época das chuvas (entre dezembro e fevereiro) o volume de água triplica. As cachoeiras, em sua maioria, estão dentro do Parque, obedecendo aos horários estipulados para visitas. Na região da Canastra, existem inúmeras cachoeiras. A quantidade que você vai conhecer depende do seu tempo disponível.

Como chegar 

Araxá/MG, a 160 km, e Piumhi/MG, a 70 km da nascente histórica do Rio São Francisco, são as cidades mais próximas com estrutura aeroportuária. Belo Horizonte está a 320 km da nascente. Saindo da cidade pela BR-381, toma-se a BR-262 sentido Triângulo Mineiro e segue-se a MG-050 até Piumhi/MG.

De São Paulo o caminho é por Campinas, de onde se acessa Minas Gerais buscando-se São Sebastião do Paraíso/MG e Passos/MG. De Passos, cruzando a ponte do rio Grande pode-se entrar na área não regularizada via São João Batista do Glória/MG ou seguir pela rodovia MG-050 até Piumhi/MG e dali para São Roque de Minas (nascente e parte alta da Casca d’Anta) e Vargem Bonita (parte baixa da Casca d’Anta). Há ainda a possibilidade de entrada em MG via Franca, buscando-se Delfinópolis e acessando o Parque por sua área não regularizada. A rodovia MG-050 é pavimentada e as demais opções são feitas em estradas de terra muitas vezes em estado precário, desaconselhável para veículos que não sejam 4×4.

Motos com placa, bicicletas e veículos off-road são bem-vindos, desde que se mantenham nas estradas, pois fora delas estarão sujeitos à multa nos termos da legislação ambiental.

Onde ficar

O Parque abrange seis municípios mineiros, todos com vocação turística e com excelentes opções de lazer e hospedagem: Capitólio, São João Batista do Glória, Delfinópolis, Sacramento, São Roque de Minas e Vargem Bonita.

O acesso à nascente histórica do Rio São Francisco e à parte alta da Casca d’Anta são mais próximos de São Roque de Minas (12 e 34 km, respectivamente). E a parte baixa da Casca d’Anta é mais próxima de Vargem Bonita MG (22 km).

Quando ir

O Parque Nacional da Serra da Canastra pode ser visitado o ano todo, porém, a época ideal para visitação é de abril a outubro, pois o tempo está menos chuvoso, facilitando o acesso às atrações e tornando os passeios mais agradáveis. Nos períodos chuvosos, fique atento às possibilidades de trombas d’água e às condições das estradas. Ocasionalmente, em casos de incêndios florestais, a unidade de conservação pode ser fechada à visitação.

Horário de funcionamento: todos os dias, das 8h às 18h, sendo que a entrada nos atrativos é permitida até às 16h, ou, em horário de verão, até às 17h. Visitas guiadas com condutores credenciados podem ser realizadas entre 5h e 21h.

Texto e fotos por: Carlos Henrique Pacheco

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